Carnaval em fevereiro não impede queda no consumo no varejo alimentar
Resposta rápida: Em fevereiro de 2026, o varejo alimentar fechou com faturamento praticamente estável (+0,2%) e queda de 3% nas unidades vendidas nas mesmas lojas, segundo o Radar Scanntech – Edição de Fevereiro, publicado em 5 de março de 2026. No Carnaval (13 a 18 de fevereiro), a cesta da festa caiu 13,4% em valor e 18,2% em unidades contra os dias equivalentes de 2025, porque a data caiu na terceira semana do mês, longe do pagamento de salários.
Muita gente no varejo alimentar entrou em fevereiro de 2026 esperando que o Carnaval puxasse as vendas. Em 2025 a festa foi entre 28 de fevereiro e 5 de março; em 2026 caiu entre 13 e 18 de fevereiro. Mesmo com o feriado dentro do mês, os números mostram menos clientes nas lojas, menos unidades vendidas e um faturamento sustentado pelo aumento de preço.
Uma queda inesperada: os números do varejo alimentar em fevereiro de 2026
O Radar Scanntech – Edição de Fevereiro mediu retração de 13,4% no faturamento e de 18,2% nas unidades da cesta de Carnaval, comparando 13 a 18 de fevereiro de 2026 com 28 de fevereiro a 5 de março de 2025. A Scanntech estima o efeito calendário em cerca de 15,7%; descontado esse efeito de forma simplificada, a queda real em unidades no Carnaval de 2026 fica em torno de 4,7%.
O Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA) aponta na mesma direção: o faturamento nominal do varejo brasileiro caiu 8% no Carnaval de 2026 contra o período equivalente de 2025. O macrossetor de Bens Não Duráveis recuou 10,2%, e o segmento de Supermercados caiu 17,2%. Mesmo com o Carnaval dentro de fevereiro, o impulso esperado para o supermercado não veio.
O papel do calendário: fevereiro x março
O calendário explica a maior parte da queda do Carnaval de 2026 no varejo alimentar. Em 2025, o Carnaval concentrou as vendas na primeira semana de março, a semana mais forte do mês por coincidir com o pagamento de salários. Em 2026, a festa caiu na terceira semana de fevereiro, e a terceira semana do mês vende, em média, 15,7% menos unidades do que a primeira, segundo o Radar Scanntech.
A semana do mês pesa mais do que a data da festa.
O dinheiro do Carnaval foi para outro lugar. A CNC projetou movimentação recorde de R$ 14,48 bilhões no turismo durante o Carnaval de 2026, com bares e restaurantes à frente (R$ 5,77 bilhões). No ICVA, Turismo & Transporte cresceu 3,3% no feriado, enquanto os supermercados recuaram.
As variações por canal: atacarejo e supermercados em destaque
No mês de fevereiro de 2026, o atacarejo teve o pior desempenho do varejo alimentar: faturamento 2,3% menor e queda de 5,7% nas unidades vendidas, nas mesmas lojas. O atacarejo perdeu dos dois lados: 3,8% menos clientes e 2,1% menos unidades por ticket.
Os supermercados seguraram o faturamento de fevereiro de 2026, com alta de 1,5% em valor. As unidades recuaram 1,6%, puxadas por uma redução de 4,6% no fluxo de consumidores, e o preço médio por unidade subiu 3,2%. O aumento de preço amorteceu a queda, mas não reverteu a redução no volume. Quem acompanha as variações por canal com as práticas de indicadores de supermercados reconhece o padrão.
No Carnaval, a diferença entre canais aumentou. A tabela mostra a cesta de Carnaval de 13 a 18 de fevereiro de 2026 contra 28 de fevereiro a 5 de março de 2025:
| Formato de loja | Valor (R$) | Unidades | Preço por unidade |
|---|---|---|---|
| Supermercado de 1 a 4 checkouts | -9,7% | -16,1% | +7,7% |
| Supermercado de 5 a 9 checkouts | -15,9% | -19,1% | +6,2% |
| Supermercado com 10 ou mais checkouts | -10,4% | -15,6% | +6,1% |
| Atacarejo | -22,1% | -24,8% | +3,6% |
Mesmo local, público menor
Nas mesmas lojas, o faturamento nominal do varejo alimentar ficou estagnado em fevereiro de 2026: alta de somente 0,2%, sustentada pelo aumento de 3,3% no preço médio por unidade. Os outros indicadores do Radar Scanntech:
- As unidades vendidas caíram 3% nas mesmas lojas.
- O fluxo de consumidores caiu 4,5%.
- As unidades por ticket subiram 1,4%, o que não compensou a menor frequência de clientes.
- Considerando todas as lojas, o faturamento subiu 1,3%, as unidades caíram 1,9% e o volume vendido ficou estável (+0,1%).
Na prática, as vendas de fevereiro cresceram pelo preço, não pela quantidade, e a queda no fluxo apareceu no caixa do lojista.
A cesta de bebidas: o principal impacto
A cesta de bebidas foi a principal contribuição negativa de fevereiro de 2026. As unidades de bebidas caíram 8,4%, enquanto o faturamento subiu 0,5%, sustentado por um preço médio por unidade 9,8% maior e por embalagens 5,8% maiores. O Radar Scanntech liga a queda ao clima mais ameno do que em fevereiro de 2025. Destaques da cesta, nas mesmas lojas:
- Suco: queda de 10,7% em valor e 15,4% em unidades
- Cerveja: queda de 3,4% em valor e 12% em unidades
- Refrigerante: queda de 3,5% em valor
- Conhaque: alta de 48,1% em valor
- Aperitivos: alta de 21,3% em valor
- Misturas alcoólicas: alta de 19,7% em valor
Cerveja, suco e refrigerante definiram o resultado da cesta de bebidas pelo peso que têm nas vendas. Destilados e aperitivos cresceram em valor, mas não compensaram a perda de volume das bebidas ligadas ao calor.
Mercearia e mercearia básica: volume em queda, preços em alta
A cesta de Mercearia teve alta de 4% no faturamento de fevereiro de 2026, com preço 5,9% maior e unidades 1,8% menores. A Mercearia respondeu por 13% da queda total em unidades do mês, com retração em categorias de indulgência:
- Chocolates: queda de 6,5%
- Biscoitos: queda de 5,1%
A Mercearia Básica teve a maior retração de faturamento entre as cestas:
- Faturamento 10,3% menor, com preço médio 9,5% menor e unidades 0,9% menores
- Arroz caiu 35,3% em faturamento, açúcar 21,7% e leite líquido 15,8%
- A queda de preço dos itens básicos não virou aumento de vendas em unidades
Diferenças regionais: queda espalhada, mas com nuances
A retração do varejo alimentar em fevereiro de 2026 atingiu quase todas as regiões, com intensidade diferente. No mês, o Radar Scanntech mostra:
- Centro-Oeste e Nordeste: alta de 2,8% e 1,2% no faturamento, respectivamente
- Norte: queda de 3,8% no faturamento e de 5,5% nas unidades
- Sul: queda de 0,7% no faturamento
- RJ/MG/ES: queda de 4,3% nas unidades
- São Paulo: queda de 3,9% nas unidades
No Carnaval, a cesta da festa caiu em todas as regiões. Sul e Norte tiveram as maiores quedas e os menores aumentos de preço:
| Região | Valor (R$) | Unidades | Preço |
|---|---|---|---|
| MG, RJ e ES | -8,8% | -14,4% | +6,5% |
| São Paulo | -12,5% | -18,7% | +7,5% |
| Centro-Oeste | -13,5% | -17,4% | +4,7% |
| Nordeste | -15,1% | -18,9% | +4,6% |
| Norte | -18,1% | -21,2% | +3,9% |
| Sul | -19,4% | -22,9% | +4,5% |
Como o comportamento do consumidor mudou no Carnaval de 2026?
O consumidor do Carnaval de 2026 gastou com festa e serviço, não com abastecimento. A pesquisa CNDL/SPC Brasil estimou 41,4 milhões de pessoas com intenção de gastar no Carnaval de 2026 (25% dos consumidores das capitais). Entre elas, 88% pretendiam participar de alguma festividade e 32% tinham contas em atraso. No ICVA, Turismo & Transporte cresceu no feriado, enquanto supermercados recuaram.
Nos dados da Scanntech, o valor das vendas do mês subiu pouco, a quantidade de itens caiu e os clientes foram menos vezes à loja. O ticket médio maior veio do reajuste de preços, não de mais itens no carrinho.
Desafios para o varejista: onde estão as oportunidades?
Mês de fluxo menor pede leitura de indicador por categoria, não da loja inteira. Duas frentes resolvem a maior parte: conferir se a precificação está adequada e ajustar um mix de produtos ajustado ao novo perfil de consumo, olhando unidades e não só faturamento.
A terceira frente é controlar estoques e perdas quando o fluxo cai: comprar menos das categorias ligadas ao calor em mês frio, acompanhar o giro por item e agir antes do vencimento. Os conteúdos sobre gestão de perdas no varejo e sobre giro de estoque detalham os cálculos.
Perguntas frequentes
Por que o consumo caiu no varejo alimentar em fevereiro de 2026?
O consumo caiu porque o fluxo de clientes nas mesmas lojas recuou 4,5% e as unidades vendidas caíram 3%, segundo o Radar Scanntech. O Carnaval caiu na terceira semana do mês, longe do salário, e o clima mais ameno derrubou bebidas. O faturamento só ficou estável (+0,2%) porque o preço médio subiu 3,3%.
O Carnaval aumenta as vendas do supermercado?
Depende da semana em que o Carnaval cai. Em 2025, a festa coincidiu com a primeira semana de março, a mais forte do mês. Em 2026, caiu na terceira semana de fevereiro, e a cesta de Carnaval recuou 13,4% em valor e 18,2% em unidades. No ICVA, os supermercados caíram 17,2% no feriado de 2026.
Quais produtos mais caíram nas vendas em fevereiro de 2026?
As bebidas lideraram a queda, com retração de 8,4% nas unidades: suco caiu 15,4% e cerveja 12% em unidades. Na Mercearia Básica, o faturamento caiu 10,3%, com arroz (-35,3%), açúcar (-21,7%) e leite líquido (-15,8%). Chocolates e biscoitos também recuaram, segundo o Radar Scanntech de fevereiro.
Como o supermercado pode se preparar para um mês de fluxo menor?
O supermercado pode acompanhar unidades, fluxo e ticket por categoria, ajustar compra e mix antes do mês fraco e controlar gestão de perdas e giro de estoque. O ERP da Apogeu Tech mostra venda por item, itens por cupom e cobertura de estoque para essa leitura.
Conclusão
Fevereiro de 2026 mostrou que Carnaval dentro do mês não basta para vender mais no supermercado. O dinheiro da festa foi para turismo, bares e serviços; o varejo alimentar teve menos clientes, menos unidades e um faturamento sustentado pelo preço. A semana do mês e o clima pesaram mais do que a data da festa.
Quem opera loja há décadas sabe que ler esses movimentos cedo muda a compra e o mix do mês seguinte. Para ver como a Apogeu Tech ajuda o supermercado a acompanhar vendas, estoque e fluxo por categoria, fale com a equipe.
Referências e fontes
- Radar Scanntech – Edição de Fevereiro (publicação em 5 de março de 2026), com o relatório sazonal do Carnaval de 2026 — Scanntech.
- ICVA: vendas no varejo caem 8% no Carnaval 2026 — Cielo (Índice Cielo do Varejo Ampliado).
- Carnaval 2026: CNC projeta R$ 14,48 bilhões em receita e 39,2 mil empregos — CNC.
- Carnaval 2026: intenção de consumo movimenta 41 milhões de brasileiros — CNDL/SPC Brasil.




