Carnaval em fevereiro não impede queda no consumo no varejo alimentar
Em 2026, muitos de nós no varejo alimentar entramos fevereiro esperando que o Carnaval impulsionasse as vendas, como tantas vezes acontece. Afinal, a expectativa de fluxo intenso de consumidores e carrinhos cheios durante as festas parecia uma tradição. No entanto, mesmo com o Carnaval caindo em fevereiro – ao contrário de 2025, quando foi em março – os números mostram uma realidade diferente, marcada por retração no consumo e aumento pontual nos preços. O cenário exige atenção e estratégias renovadas, como observamos diariamente aqui na Apogeu Tech, acompanhando lojistas em todo o Brasil.
Uma queda inesperada: os números do varejo alimentar em fevereiro de 2026
Segundo levantamento da Scanntech, o varejo alimentar sofreu retração de 13,4% no faturamento e de 18,2% nas unidades vendidas se compararmos o Carnaval de 2026 ao de 2025. Quando ajustamos para o fator calendário, considerando a diferença de datas, a queda real nas unidades foi de aproximadamente 4,7%. Isso confirma o que observamos com os nossos próprios clientes e nos relatos do setor.
O Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA) reforça esse cenário: o faturamento do varejo brasileiro caiu 8% no Carnaval em comparação ao mesmo período de 2025. No grupo dos Bens Não Duráveis, onde os supermercados estão inseridos, a retração foi ainda maior, atingindo 10,2%, e especificamente nos supermercados, o tombo chegou a 17,2%. Mesmo com o Carnaval, o impulsionamento esperado não veio. As vendas sentiram o peso do calendário encurtado e do bolso do consumidor apertado.
O papel do calendário: fevereiro x março
O Carnaval tem efeito importante sobre o calendário do varejo. Em 2025, ele caiu em março, um mês mais favorável para consumo. Já em 2026, a festa ocorreu no final de fevereiro, tradicionalmente um período mais curto, com menos dias úteis e menor poder aquisitivo na população.
Número de dias faz diferença nas vendas.
De acordo com a análise divulgada pela CNC e pela Setur-SP, o Carnaval de 2026 movimentou cerca de R$ 14,48 bilhões no país, com R$ 7,3 bilhões desse total no Estado de São Paulo. O impacto, porém, foi sentido em serviços e turismo, enquanto no varejo alimentar o consumo seguiu em baixa.
As variações por canal: atacarejo e supermercados em destaque
Os números detalhados mostram que nem todos os formatos de loja sofreram da mesma forma. No atacarejo, vimos o maior impacto negativo, com faturamento recuando 2,3% e queda de 5,7% nas unidades vendidas. Esse canal sentiu duplamente: menos clientes e menos itens por compra.
Nos supermercados, a situação foi menos drástica: houve crescimento de 1,5% no valor total das vendas. No entanto, as unidades recuaram 1,6%, puxadas por uma redução de 4,6% no fluxo de consumidores. O aumento de preços acabou amortecendo a queda, mas não reverteu a redução no volume. Essa tendência faz sentido para quem acompanha as variações de desempenho por canal e adota as melhores práticas de indicadores de supermercados.
Mesmo local, público menor
Nas mesmas lojas, chama atenção a estagnação do faturamento nominal: registrou-se alta de somente 0,2%, basicamente sustentada por um incremento de 3,3% no preço médio por unidade. No entanto:
- O consumo caiu 3% em unidades vendidas.
- O fluxo de consumidores despencou 4,5%.
- A venda em volume, somando todas as lojas, ficou praticamente estável (alta de 0,1%).
- Faturamento geral subiu 1,3%, mas as unidades baixaram 1,9%.
- Houve aumento de 1,4% nas unidades por ticket, o que não compensou a menor frequência de clientes.
Na prática, as vendas cresceram mais pelo preço do que pela quantidade, e a queda no fluxo foi sentida no caixa do lojista.
A cesta de bebidas: o principal impacto
A maior queda absoluta do período veio da cesta de bebidas. As unidades despencaram 8,4%, ainda que o faturamento tenha apresentado leve alta de 0,5% graças ao aumento de preços em algumas categorias. Quando olhamos os destaques dentro das bebidas, o cenário fica mais claro:
- Suco: queda de 10,7% em valor e 15,4% em unidades
- Cerveja: queda de 3,4% em valor e 12% em unidades
- Conhaque: forte aumento de 48,1% no valor
- Aperitivos: aumento de 21,3% em valor
- Misturas alcoólicas: crescimento de 19,7% em valor
- Refrigerante: queda de 3,5% em valor
Esses dados detalhados mostram que, apesar do clima festivo, nem todos os produtos associados ao Carnaval tiveram desempenho positivo. Enquanto algumas bebidas alcoólicas específicas ganharam espaço, outros itens tradicionalmente ligados ao consumo do período, como cervejas e sucos, registraram perdas.
Mercearia e mercearia básica: volume em queda, preços em alta
Na mercearia, que inclui itens de indulgência como chocolates e biscoitos, a queda nas unidades foi de 13%. Este movimento foi puxado principalmente por produtos como:
- Chocolates: queda de 6,5% em unidades
- Biscoitos: queda de 5,1% em unidades
Mesmo assim, o faturamento da cesta subiu 4%, alinhado ao aumento nos preços. Já na mercearia básica (arroz, feijão, açúcar), observamos a maior queda entre as cestas:
- Retração de 10,3% no faturamento
- Queda de preço médio não reverteu a diminuição nas vendas em unidades
Diferenças regionais: queda espalhada, mas com nuances
Outro ponto interessante são as variações regionais observadas. O levantamento da Scanntech detalhou que:
- Norte: queda de 3,8% nas unidades e retração de 5,5%
- Sul: recuo de 0,7% no faturamento, retração de 0,7%
- RJ/MG/ES: retração de 4,3% nas unidades
- São Paulo: retração de 3,9% nas unidades
- Centro-Oeste e Nordeste: estabilidade (2,8% e 1,2% de alta no faturamento, respectivamente)
Esses números mostram que a retração foi generalizada, mas com intensidade diferente conforme a região e o canal de venda.
Como o comportamento do consumidor mudou no Carnaval de 2026?
Embora o Carnaval de 2026 tenha mobilizado 41,4 milhões de pessoas, com 88% dos que pretendiam gastar visando festas, 40% planejando viagens e parte significativa com contas em atraso, o destino do dinheiro foi diferente. Segmentos de lazer, turismo e serviços foram favorecidos, enquanto supermercados e atacarejos enfrentaram retração – como mostram as projeções do IBEVAR-FIA.
O olhar prático sobre os dados revela que, mesmo com leve crescimento do valor das vendas, a quantidade de itens vendidos caiu e os clientes visitaram menos o varejo alimentar. O aumento do ticket médio foi resultado direto do reajuste de preços.
Desafios para o varejista: onde estão as oportunidades?
Neste cenário, é fundamental analisar de perto os indicadores de cada categoria, repensando sortimento e precificação. Estratégias como conhecer se a precificação está adequada e adotar um mix de produtos ajustado ao novo perfil de consumo fizeram a diferença para quem conseguiu ao menos minimizar perdas.
Também é importante controlar estoques e perdas em épocas de menor fluxo, usando ferramentas que acompanham o giro dos produtos, como recomendado em nosso conteúdo sobre gestão de perdas no varejo e sobre giro de estoque.
Conclusão
Fevereiro de 2026 deixou lições importantes para o varejo alimentar. Mesmo com o Carnaval movimentando milhões de pessoas e bilhões de reais, esse volume ficou concentrado no turismo e nas experiências, não chegando ao caixa dos supermercados e atacarejos. As vendas foram puxadas para baixo por um calendário desfavorável, queda no fluxo de clientes e crescimento puxado principalmente pelo reajuste de preços.
Na Apogeu Tech, acreditamos que compreender esses movimentos é o primeiro passo para tomar melhores decisões, ajustando ações para cada cenário e buscando soluções que tornem a operação mais segura, confiável e alinhada ao comportamento real do consumidor. Que tal conhecer mais sobre a Apogeu Tech e descobrir formas práticas de transformar a rotina do seu varejo, mesmo em momentos de oscilação?
Perguntas frequentes
O que explica a queda no consumo?
A queda no consumo foi explicada principalmente pela mudança do Carnaval para fevereiro, mês mais curto e com menor consumo, e por um cenário em que o aumento do ticket veio do reajuste de preços, não de aumento real de vendas. Também houve redução no fluxo de consumidores, queda nas unidades vendidas e preferência de gastos do consumidor em lazer e turismo, segundo levantamento divulgado pela Scanntech e pelo Índice Cielo do Varejo Ampliado.
Carnaval afeta as vendas do varejo alimentar?
Sim, o Carnaval pode afetar bastante o desempenho do varejo alimentar – tanto positiva quanto negativamente. Como demonstram as pesquisas da CNC/Setur-SP, em 2026 o aumento de movimentação foi mais concentrado em outros setores, com impacto menor sobre supermercados. Quando o Carnaval ocorre em março, historicamente os volumes são melhores.
Como o varejo pode driblar a baixa em fevereiro?
O varejista pode buscar adaptação rápida, analisando e ajustando mix, precificação e sortimento para o perfil atual do consumidor, além de controlar estoques e perdas. Foco em informações gerenciais e no acompanhamento próximo dos resultados faz a diferença nesses momentos. Nosso blog traz mais dicas sobre gestão de perdas e giro de estoque.
Quais produtos mais caíram nas vendas?
Entre os produtos que mais sofreram queda, destacam-se as bebidas, com retração de 8,4% nas unidades, especialmente refrigerantes, cervejas e sucos. Na mercearia, chocolates e biscoitos lideraram a baixa. Já itens da mercearia básica, como arroz, feijão e açúcar, tiveram forte retração mesmo com queda de preço.
Vale a pena comprar antes do Carnaval?
Depende do objetivo. Comprar antes do Carnaval pode ser interessante para evitar filas ou aproveitar estoques mais completos, mas, em 2026, não houve grandes variações promocionais no varejo alimentar em função da data. A principal diferença esteve no canal: supermercados conseguiram segurar um pouco as vendas com aumento de preços, enquanto atacarejos sentiram queda mais forte no volume.
