Entregador de moto retira um pedido no balcão da farmácia enquanto a atendente confere o pedido no tablet; ao fundo, gôndolas de um supermercado de bairro

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Gestão

Vale a pena vender no iFood e no Farmácias App?

Resposta rápida: Vale a pena quando o estoque e o preço do app saem do sistema da loja e a comissão cabe na margem do item. Em 23 de outubro de 2026, o iFood cobrava de farmácias e mercados 6% por pedido (mais 3,5% no pagamento online) no plano Básico, e 14% (farmácia) ou 12% (mercado) no plano Entrega; o Farmácias App, 12,5%. Na farmácia, remédio com receita pode ser vendido a distância com avaliação da receita pelo farmacêutico; medicamento controlado, não.

Segundo o iFood, em dados publicados pelo InfoMoney em 1º de agosto de 2026, a base de farmácias parceiras passou de 14 mil para 22 mil em 12 meses, e os pedidos de farmácia na plataforma cresceram 70,6% entre janeiro e junho de 2026; os de mercado, 47,7%. São números de uma plataforma, não do setor.

Este guia mostra se a comissão fecha a conta, o que a Anvisa deixa vender por app e por que a Apogeu Tech recomenda marketplace com estoque integrado, não app próprio.

Vale a pena vender no iFood? A resposta para farmácia e mercado

Vender no iFood vale a pena para farmácia e mercado quando três contas fecham: o estoque do app bate com a prateleira, a comissão cabe na margem dos itens ativados e a loja tem gente para separar o pedido no tempo do app. Sem essas três condições, o iFood gera pedido cancelado e venda sem lucro. A mesma regra vale para o Farmácias App.

A favor, a demanda já está no aplicativo. Segundo o iFood (InfoMoney, 01/08/2026), as farmácias parceiras passaram de 14 mil para 22 mil em 12 meses. No mercado, o iFood informa alta de 60% no GMV entre março de 2025 e março de 2026 e diz que 46 dos 50 maiores grupos de supermercados do Ranking ABRAS estão na plataforma.

A entrada também é leve: em 23/10/2026, o Farmácias App não cobrava mensalidade nem adesão, e a mensalidade de R$ 130 do iFood só valia nos meses com faturamento acima de R$ 1.800.

Vale a pena se:

  • o estoque do sistema da loja é confiável;
  • a comissão cabe na margem dos itens ativados;
  • há gente para separar o pedido no prazo do app;
  • na farmácia, o farmacêutico avalia a receita antes da separação;
  • está decidido quem entrega: a loja ou o canal.

Ainda não vale a pena se o estoque vive no papel ou se o preço do app é o do balcão, sem a conta da comissão.

Gráfico de barras: comissão por pedido nas páginas públicas do iFood e do Farmácias App

Quanto o iFood e o Farmácias App cobram (taxas em 23/10/2026)

Em 23/10/2026, segundo a página do iFood para parceiros, farmácias e mercados pagavam 6% por pedido mais 3,5% no pagamento online no plano Básico, e 14% (farmácia) ou 12% (mercado) no plano Entrega. O Farmácias App cobrava 12,5%, sem mensalidade.

Taxas públicas consultadas em 23/10/2026

CanalPlanoComissão por pedidoPagamento onlineMensalidadeQuem entregaAtivação após o contrato
iFood FarmáciaBásico6%+3,5%R$ 130A lojaAté 20 dias
iFood FarmáciaEntrega14%Não informadoR$ 130iFood, em algumas regiõesAté 20 dias
iFood MercadoBásico6%+3,5%R$ 130A lojaAté 20 dias
iFood MercadoEntrega12%Não informadoR$ 130iFood, em algumas regiõesAté 20 dias
Farmácias AppÚnico12,5%, varia com o freteIncluídoNão háApp (frete por km) ou lojaAté 4 dias úteis

No iFood, a mensalidade de R$ 130 só vale nos meses com faturamento bruto acima de R$ 1.800, com o 1º mês grátis e sem fidelidade. A comissão final é a do contrato de cada loja, e campanhas promocionais mudam a página. No Farmácias App, o repasse sai a cada 15 dias. No plano Entrega, a página não diz se o pagamento online está incluído: confirme no contrato.

Exemplo: pedido de R$ 100 (taxas de 23/10/2026)

ModeloRetido pela plataformaFora da conta
iFood Básico, pago onlineR$ 9,50 (6% + 3,5%)Entrega feita pela loja
iFood Entrega, farmáciaR$ 14,00Pagamento online não informado
iFood Entrega, mercadoR$ 12,00Pagamento online não informado
Farmácias AppR$ 12,50Variação pelo frete

O Básico parece o mais barato, mas a loja paga o entregador.

Como saber se a comissão cabe na margem

A comissão cabe na margem quando a margem bruta do item, em reais, paga a comissão, a entrega e a embalagem e ainda sobra lucro:

margem que sobra = margem bruta do item − comissão do canal − custo da entrega (no Básico) − embalagem

Use a margem, não o markup (veja a diferença entre markup e margem), e ative primeiro os itens cuja margem comporta a comissão.

Farmacêutica confere uma receita na tela do celular ao lado de uma sacola lacrada de pedido, com o entregador aguardando ao fundo

O que a farmácia pode vender por app: receita, controlado e a Lei 15.357

A farmácia pode vender por app MIP (medicamento isento de prescrição), higiene, dermocosmético, suplemento e também remédio com receita, desde que o farmacêutico avalie a receita antes da dispensação. A RDC 44/2009 da Anvisa veda por pedido remoto só o medicamento controlado: a ideia de que "pela internet só se vende MIP" não está na norma.

Pode vender a distância?

ProdutoPode?CondiçãoNorma
MIP, higiene, dermocosmético, suplementoSimRegras de publicidadeRDC 44/2009, art. 52, caput; art. 54
Medicamento com prescrição (tarja)SimO farmacêutico avalia a receitaRDC 44/2009, art. 52, § 1º
Controlado (Portaria 344/1998)Não, por pedido remotoVenda remota e pela internet vedadas; a farmácia pode entregar depois que o farmacêutico confere a receitaRDC 44/2009, art. 52, § 2º; Portaria 344/1998, arts. 34-A e 34-B

No iFood, para medicamentos GLP-1, o app pede a receita digital, avaliada pelo farmacêutico da farmácia parceira antes da separação; sem QR Code ou código, o cliente retira em loja.

Só farmácia ou drogaria aberta ao público, com farmacêutico em todo o horário, dispensa pedido remoto, com estoque de loja aberta. Veja o que a RDC 44/2009 exige da farmácia.

O que a Lei 15.357/2026 mudou para as plataformas

A Lei 15.357, de 20 de março de 2026, incluiu o § 6º no art. 6º da Lei 5.991/1973: farmácias e drogarias licenciadas "poderão contratar canais digitais e plataformas de comércio eletrônico para fins de logística e entrega ao consumidor", cumprida a regulamentação sanitária. Em 10 de agosto de 2026, a Anvisa revogou as medidas preventivas contra o iFood e outras plataformas, mas disse que a revogação "não implica em autorização automática".

A norma específica ainda não saiu. Em 19 de agosto de 2026, a Anvisa abriu o processo nº 25351.917642/2026-38 para regulamentar o tema, com consulta pública prometida e sem data; até 23/10/2026 não havia consulta pública aberta. Segundo a Anvisa, "as regras atuais estão vigentes".

Mesmo com entregador do app, o transporte é da farmácia (RDC 44/2009, art. 56), e o pacote leva cartão com o nome do farmacêutico e o telefone da loja (art. 58, § 2º).

E o supermercado?

O supermercado só vende remédio por app se tiver farmácia licenciada: a RDC 44/2009 veda a oferta de medicamento na internet em site que não seja de farmácia ou drogaria licenciada (art. 53, § 2º). A Lei 15.357/2026 permite farmácia na área de venda do supermercado, em espaço segregado e exclusivo, com farmacêutico em todo o horário. Sem ela, o mercado vende pelo iFood Mercado só produtos de mercado. Veja a farmácia dentro do supermercado pela Lei 15.357/2026.

Fluxograma do pedido por aplicativo: pedido no app, estoque da loja, separação, farmacêutico confere a receita (só na farmácia), entrega e nota fiscal

Pontos de atenção na operação: ruptura, catálogo, preço, prazo e avaliação

Os pontos que mais derrubam a venda pelo iFood e pelo Farmácias App são ruptura, catálogo desatualizado, preço sem conta, prazo de entrega e avaliação do cliente. Todos dependem de uma regra: o app mostra o que a loja tem.

Ruptura. O iFood pede "controle de estoque (em sistema ou manual)" para cadastrar a loja, e o Farmácias App ativa os produtos "que você já tem no estoque". Item vendido no app e ausente na prateleira vira pedido cancelado e cliente que não volta. Ative primeiro os itens com cobertura de estoque folgada (veja controle de estoque no varejo).

Catálogo e preço sincronizados. Sem sistema integrado, o iFood aceita a loja com integração manual, e o catálogo do app depende de quem atualiza à mão. No Farmácias App, preço, promoção e estoque são responsabilidade da farmácia.

Prazo de entrega. Segundo o iFood, 80% das sessões de farmácia na plataforma oferecem entrega em até 20 minutos, e mais da metade dos pedidos chega em 30 minutos. No plano Básico, quem cumpre o prazo é o entregador da loja.

Avaliação. O cliente avalia tudo: separação rápida, item certo, embalagem íntegra e, na farmácia, o cartão do farmacêutico.

Cuidados da farmácia. Medicamento termossensível vai em embalagem especial (RDC 44/2009, art. 56, § 1º), e o cliente precisa de um meio de falar direto com o farmacêutico (art. 58, § 1º).

Requisitos do iFood. CNPJ ativo, conta bancária do CNPJ, equipe para separar e, na farmácia, informações regulatórias válidas na Anvisa.

Marketplace ou aplicativo próprio? Por que a Apogeu recomenda o marketplace

Para farmácia e mercado independentes, a Apogeu desaconselha criar aplicativo próprio como primeiro passo e recomenda entrar nos marketplaces com o estoque integrado. O app próprio obriga a loja a trazer cada cliente; no iFood e no Farmácias App, a demanda já está lá.

CritérioApp próprioMarketplace (iFood, Farmácias App)
Custo para estar nas lojas de aplicativoApple: US$ 99 por ano; Google Play: US$ 25, uma única vezNenhum
PagamentoProduto físico não usa o pagamento da Apple nem do Google; a loja contrata outro meioPagamento online do canal
App de modelo prontoA Apple recusa app feito de modelo comercial, salvo se publicado pelo dono do conteúdo (diretriz 4.2.6)Não se aplica
ClienteA loja precisa trazer cada clienteA demanda já está lá
Regra sanitária (farmácia)Site próprio segue os arts. 53 a 55 da RDC 44/2009Segue a RDC 44/2009; norma das plataformas pendente

O custo da loja de aplicativos é pequeno; o problema é o resto. A loja contrata o próprio pagamento (Apple, diretriz 3.1.3(e); Google Play, política de pagamentos), e o app de modelo pronto precisa sair na conta da própria loja, com mais uma assinatura anual, ou entra num app agregador, que na prática é um marketplace.

A procura por app próprio também é pequena: "aplicativo para farmácia" e "criar aplicativo para supermercado" têm cerca de 10 buscas por mês cada no Google (levantamento da Apogeu, DataForSEO, Brasil, outubro de 2026).

Na farmácia, o site próprio de venda de medicamento segue a RDC 44/2009: domínio .com.br e dados da farmácia na página (art. 53, § 1º), regras de publicidade (art. 54) e o endereço do site na AFE (art. 55). A norma fala em "sítio eletrônico", não em aplicativo.

O caminho que a Apogeu indica para a loja independente: marketplace primeiro, uma loja virtual própria (WooCommerce) e vitrine no Google Shopping e no Instagram Shopping, todos partindo do mesmo estoque.

Erros comuns de quem começa a vender por app

Os erros mais comuns são de estoque, de preço e de regra sanitária:

  1. Ativar o catálogo inteiro sem conferir o estoque. A ruptura vira pedido cancelado no primeiro fim de semana.
  2. Copiar o preço do balcão. Sem a conta da comissão e da entrega, o item pode vender com prejuízo.
  3. Tratar remédio com receita como item comum. A RDC 44/2009 exige avaliação da receita pelo farmacêutico no pedido remoto (art. 52, § 1º).
  4. Acreditar na manchete "a Anvisa liberou a venda no iFood". Para a Anvisa, a revogação das medidas contra as plataformas "não implica em autorização automática".
  5. Achar que o entregador do app assume a responsabilidade sanitária. O transporte do pedido remoto é da farmácia (RDC 44/2009, art. 56). O Farmácias App diz que cada farmácia parceira responde pela venda e pela entrega, e o iFood, que a farmácia responde pelo cumprimento da legislação.

O que a integração com o ERP resolve

A integração com o ERP mantém o app igual à loja. O iFood descreve dois tipos: a de produtos leva o estoque da loja para a plataforma, e a de pedidos leva o pedido ao PDV, para a emissão do documento fiscal. Sem integração, alguém digita estoque e pedido à mão.

O ERP da Apogeu integra com o iFood, inclusive o iFood Farmácia, por meio de um parceiro de integração. Também integra com o Farmácias App, o WooCommerce, o Google Shopping e o Instagram Shopping. Em todos esses canais, a integração leva estoque, preço e catálogo da loja para o app e traz o pedido para o PDV, com a emissão da NFC-e.

Os relatórios do sistema ajudam a decidir o que ativar em cada canal:

  • vendas por canal, para comparar balcão, iFood, Farmácias App e loja virtual com a comissão de cada um;
  • vendas por item, para escolher o que já gira;
  • itens por cupom, para ver o que o cliente leva junto;
  • cobertura de estoque, para ativar só o que tem folga;
  • vendas por dia da semana e por hora, para escalar a separação no pico.

Perguntas frequentes

Quanto eu pago para vender pelo iFood?

Farmácias e mercados pagam, no plano Básico do iFood, 6% por pedido mais 3,5% no pagamento online; no plano Entrega, 14% (farmácia) ou 12% (mercado). A mensalidade de R$ 130 só vale nos meses com faturamento acima de R$ 1.800. Valores da página de parceiros em 23/10/2026; a comissão final está no contrato.

A farmácia pode vender remédio com receita pelo iFood ou pelo Farmácias App?

Sim. A RDC 44/2009 da Anvisa permite dispensar medicamento com prescrição pedido a distância, se o farmacêutico avaliar a receita (art. 52, § 1º). Controlado não pode ser vendido por pedido remoto (art. 52, § 2º), e a Portaria 344/1998 veda sua compra e venda pela internet (art. 34-B, § 1º).

O supermercado pode vender remédio pelo iFood Mercado?

Só com farmácia licenciada. A RDC 44/2009 veda a oferta de medicamento na internet em site que não seja de farmácia ou drogaria licenciada (art. 53, § 2º). A Lei 15.357/2026 permite ao supermercado ter farmácia em espaço segregado e exclusivo, com farmacêutico em todo o horário.

Preciso de sistema integrado para vender no iFood?

Não é obrigatório: o iFood aceita controle de estoque em sistema ou manual e loja com integração manual. Sem integração, porém, o estoque do app se desencontra da prateleira. O ERP da Apogeu integra com o iFood por meio de um parceiro de integração e com o Farmácias App: estoque, preço e catálogo vão para o app, e o pedido entra no PDV com a NFC-e.

Conclusão

Vender no iFood e no Farmácias App vale a pena com estoque integrado e a conta da comissão feita item a item. Na farmácia, a receita passa pelo farmacêutico e o controlado fica fora do app. Na opinião da Apogeu, o app próprio só faz sentido depois que o marketplace provar a demanda.

As taxas são de 23/10/2026, e a norma da Anvisa sobre plataformas ainda não saiu: confira as duas antes de assinar.

A Apogeu integra o PDV, a retaguarda, o estoque e o fiscal da sua drogaria com o iFood, por meio de um parceiro de integração, e com o Farmácias App. Conheça o sistema para drogaria integrado ao iFood e ao Farmácias App.

Referências e fontes

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