Perda de estoque na farmácia: vencimento, avaria e furto
Resposta rápida: Nas farmácias e drogarias pesquisadas pela Abrappe, os itens vencidos foram 79,31% das ocorrências de quebra operacional em 2024. Evitar perda de estoque na farmácia é, antes de tudo, controlar a validade: conferir no recebimento, expor pelo PVPS e ter no POP a política para produtos próximos do vencimento. Depois vêm a avaria e o furto de itens de alto valor, como canetas GLP-1 e dermocosméticos.
Na farmácia, cada caixa perdida sai inteira do lucro. Aqui estão os números, três checklists e o que a norma manda fazer com o vencido.
Perda de estoque na farmácia: quanto se perde e por quê
Nas farmácias pesquisadas pela Abrappe, a maior parte da perda de estoque é quebra operacional, e o vencimento é a principal causa dessa quebra.
| Indicador (farmácias e drogarias) | Valor | Período | Fonte |
|---|---|---|---|
| Perda total | 1,25% do faturamento | 2024 | Abrappe, 8ª edição |
| Quebra operacional | 0,82% do faturamento | 2024 | Abrappe, 8ª edição |
| Perda não identificada | 0,43% do faturamento | 2024 | Abrappe, 8ª edição |
| Vencidos dentro da quebra operacional | 79,31% das ocorrências | 2024 | Abrappe, 8ª edição |
Quebra operacional é o produto identificado sem condição de venda, como o vencido e o danificado. Perda não identificada é a diferença de inventário sem causa conhecida. Em farmácia, a quebra pesa quase o dobro da perda não identificada: o foco é a validade, antes do alarme.
Ressalva: a pesquisa ouve grandes varejistas (179 empresas na edição de 2025, mais de 43% com faturamento acima de R$ 1 bilhão por ano). Os números são referência, não retrato da farmácia independente.

Vencimento: o checklist da primeira causa de quebra
Na média do varejo, a Abrappe aponta como causas do vencimento o excesso de compra, a exposição sem PVPS, a falta de retirada dos próximos ao vencimento e a ausência de controle de validade. O checklist ataca as quatro:
- Recebimento: conferir o estado de conservação e a legibilidade do lote e da validade antes de dar entrada (RDC 44/2009, art. 34).
- Exposição: repor pelo PVPS.
- POP: a RDC 44/2009 exige que a política para produtos com validade próxima esteja descrita no POP e clara a todos os funcionários (art. 51), e lista o POP de destino dos vencidos e o de destinação dos próximos ao vencimento (art. 86). Veja os POPs exigidos pela RDC 44/2009.
- Balcão: alertar o cliente sobre validade próxima. A RDC 44/2009 proíbe dispensar medicamento cuja posologia não termine dentro da validade (art. 51, §§ 1º e 2º).
- Compra: pedir pela cobertura em dias e pela venda de cada item, não pela oferta do distribuidor, depois de olhar o relatório de validade do seu sistema.
PVPS: primeiro que vence, primeiro que sai
PVPS quer dizer "primeiro que vence, primeiro que sai": o lote de validade mais curta vai para a frente e sai antes. O PEPS ("primeiro que entra, primeiro que sai") segue a entrada, mas o lote que chegou depois pode vencer antes.
Exemplo: chega um dermocosmético com 4 meses de validade. Na entrada, confira lote, validade e embalagem. Na prateleira, ele vai à frente dos lotes que vencem depois. Na janela de próximos ao vencimento, segue a política do POP. Se vencer, vai para a segregação.
O que fazer com o produto vencido do estoque
O produto vencido do estoque da farmácia não pode ser vendido nem usado. A RDC 44/2009 manda segregá-lo e identificá-lo; a RDC 222/2018 rege o descarte como resíduo de serviço de saúde (RSS).
- Segregar e identificar: em ambiente seguro, longe da área de dispensação, com condição e destino identificados (RDC 44/2009, art. 38).
- Seguir o PGRSS: farmácias e drogarias são geradoras de RSS e devem ter Plano de Gerenciamento de Resíduos de Serviços de Saúde (RDC 222/2018, arts. 2º e 5º).
- Classificar: produto farmacêutico é Grupo B, resíduo químico. Hormonais, antimicrobianos, citostáticos, antineoplásicos, imunossupressores, digitálicos, imunomoduladores e antirretrovirais vão a tratamento ou a aterro Classe I (art. 59).
- Separar a embalagem: a embalagem secundária não contaminada, com o rótulo descaracterizado, pode ir à reciclagem (art. 62).
Descumprir a RDC 222/2018 é infração sanitária (art. 94; Lei 6.437/1977).
| Vencido do estoque da farmácia | Remédio vencido que o cliente traz | |
|---|---|---|
| Norma | RDC 44/2009 (art. 38), RDC 222/2018 e PGRSS | Decreto 10.388/2020 |
| Onde fica | Área segregada, longe da dispensação | Dispensador contentor com a frase "Descarte aqui os medicamentos domiciliares vencidos ou em desuso" |
| Registro | Conforme o PGRSS | Massa em kg no manifesto de transporte de resíduos do Sinir |
| Quem leva | Coleta de RSS prevista no PGRSS | Distribuidor; fabricante e importador pagam a destinação final |
O Decreto 10.388/2020 trata só do medicamento descartado pelo consumidor (art. 1º) e não se aplica aos geradores de RSS (art. 6º): o vencido do estoque da farmácia não vai para o coletor do cliente.

Avaria: recebimento e armazenagem
Produto danificado na loja é a segunda causa de quebra operacional na média do varejo, com 20,33% das quebras em 2024, somados todos os formatos. Na farmácia, a avaria se controla em três pontos:
- Entrada: a mesma conferência do estado de conservação feita no recebimento (RDC 44/2009, art. 34).
- Baixa: registrar cada avaria com o motivo, para separar avaria de vencido no relatório do seu sistema.
- Dispensação: fazer a inspeção visual de identificação, validade e integridade (RDC 44/2009, art. 46).
Furto: canetas GLP-1 e produtos de alto risco
A Abrappe liga a alta das perdas de farmácia em 2024 ao furto de canetas de emagrecimento e de Produtos de Alto Risco (PAR) e ao corte de investimento em antenas antifurto. Os PAR, como dermocosméticos, perfumaria e itens para disfunção erétil, são pequenos, de valor alto e muitas vezes ficam em locais de fácil acesso. Em 2025, cresceram os furtos de medicamentos GLP-1, como o Ozempic.
Checklist:
- Exposição: manter os PAR fora do alcance livre do cliente.
- Contagem rotativa: contar só os PAR toda semana, sem esperar o inventário geral.
- Caixa: aceitar cancelamento e troca só com motivo e responsável registrados.
- Ajuste: conferir a diferença de inventário item a item antes de ajustar o estoque.
Dispensação e descarte das canetas: o que a farmácia precisa saber sobre canetas emagrecedoras. Para quem vem do supermercado: perdas e furtos no self-checkout.
Como medir a perda da farmácia
O índice de perdas da farmácia mede quanto do faturamento do período virou perda:
Índice de perdas (%) = perdas do período ÷ faturamento do período × 100
Exemplo hipotético: faturamento de R$ 100 mil e perdas de R$ 1,5 mil no mês dão índice de 1,5% no mês.
Três cuidados para comparar meses:
- usar sempre a mesma base de valor, custo ou preço de venda;
- separar a quebra operacional da diferença de inventário;
- separar por categoria: medicamento, dermocosmético e perfumaria.
Boa gestão de estoque registra entradas e saídas, faz inventário e define mínimo e máximo: veja o guia de controle de estoque na farmácia.
Perguntas frequentes
Qual é o índice de perda de estoque das farmácias?
Nas farmácias e drogarias pesquisadas pela Abrappe, o índice de perda de estoque foi de 1,25% do faturamento em 2024, a maior parte em quebra operacional puxada pelos vencidos. Em 2025, a Abrappe registrou estabilidade no índice do setor. A pesquisa ouve grandes varejistas: o número é referência, não meta.
O que fazer com medicamento vencido no estoque da farmácia?
O medicamento vencido no estoque da farmácia não pode ser vendido nem usado. Pela RDC 44/2009, art. 38, ele vai para uma área segregada, longe da dispensação, identificado quanto à condição e ao destino. O descarte segue o PGRSS da farmácia, conforme a RDC 222/2018.
A farmácia é obrigada a receber remédio vencido do cliente?
Pelo Decreto 10.388/2020, a drogaria ou farmácia que é ponto fixo de recebimento mantém, às suas expensas, dispensadores contentores, na proporção mínima de 1 ponto para cada 10 mil habitantes, nos municípios com mais de 100 mil habitantes. O ponto fixo guarda os recipientes, registra a massa em kg no Sinir e entrega ao distribuidor.
Como o sistema da farmácia ajuda a reduzir a perda?
O sistema reduz a perda quando a compra segue a venda real. O ERP de varejo da Apogeu Tech, com PDV, retaguarda, estoque e fiscal, mostra a venda por item e a cobertura de estoque: base para pedir sem excesso e vender antes de vencer. O ERP também avisa os produtos perto do vencimento, traz o relatório de validade por lote, registra cada baixa com o motivo (vencido, avaria ou furto) e calcula o índice de perdas. A Apogeu atende mais de 1.500 empresas há mais de 34 anos.
Conclusão
A perda de estoque na farmácia se controla em três frentes: validade primeiro, com PVPS e POP; avaria no recebimento; furto nos PAR. Meça o índice todo mês, separado por tipo de perda.
Para comprar pela cobertura de estoque e pela venda de cada item, sem pedir além do que vende antes de vencer, conheça o sistema para drogarias com estoque e PDV integrados.
Referências e fontes
- Pesquisa Abrappe de Perdas no Varejo Brasileiro 2025: Resultados 2024 — Abrappe e KPMG, outubro de 2025.
- Pesquisa Abrappe revela que perdas no varejo brasileiro ultrapassam R$ 42 bilhões — Abrappe, release de 15 de junho de 2026.
- RDC Anvisa nº 44, de 17 de agosto de 2009 — Anvisa (Datalegis).
- RDC Anvisa nº 222, de 28 de março de 2018 — Anvisa, cópia do Conselho Federal de Farmácia.
- Decreto nº 10.388, de 5 de junho de 2020 — Planalto.





