Farmacêutica compara duas caixas de caneta injetável lado a lado no balcão refrigerado da farmácia

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Farmácias e Drogarias

Mounjaro falsificado: como a farmácia identifica e age

Resposta rápida: A Resolução-RE nº 3.240/2026, publicada no Diário Oficial da União de 17 de agosto de 2026, mandou apreender o Mounjaro lote 955010, que a Eli Lilly não reconhece como original, e proibiu a venda, a distribuição e o uso desse lote. Há falsificações que copiam lotes verdadeiros: conferir só o lote não basta, o número de série da caixa também conta. Caneta suspeita fica separada e identificada, e o farmacêutico notifica a vigilância sanitária.

"Mounjaro falsificado" é buscado cerca de 2.900 vezes por mês no Brasil. A dúvida chega ao balcão: o lote da notícia pode estar no meu estoque?

O falsificado não segue o recolhimento comum. Na Resolução-RE, a empresa aparece como "Não Identificada" ou "Desconhecida", e não há detentor do registro para recolher o lote. Mesmo assim, a farmácia responde, com os demais agentes, pela qualidade do medicamento até o consumidor final.

Abaixo: os lotes de 2026, a conferência que funciona e o passo a passo do balcão. Para outras medidas, veja o guia de alertas da Anvisa para farmácias.

Mounjaro falsificado: o que a Anvisa determinou para o lote 955010

A Resolução-RE nº 3.240, de 14 de agosto de 2026, determinou a apreensão do Mounjaro lote 955010 e proibiu a comercialização, a distribuição e o uso desse lote. Segundo o DOU, a Eli Lilly do Brasil "não reconhece como original o lote 955010 do medicamento MOUNJARO (tirzepatida), concluindo tratar-se de produto falsificado".

Os lotes de Mounjaro que a Anvisa listou em 2026

O lote 955010 não é o único. De janeiro a 23 de outubro de 2026, o DOU publicou seis Resoluções-RE de lotes falsificados de Mounjaro, uma de caneta adulterada e uma de produto sem registro, todas com apreensão.

Resolução-REDOULotesO que o DOU registrou
RE 31/202607/01/2026D838878Lote não reconhecido pela Lilly
RE 642/202620/02/2026D838838Rotulagem levemente borrada e espaço fora do padrão na validade
RE 1.279/202602/04/2026D856831; KwikPen D880730 e D840678Série e material de embalagem inexistentes nos sistemas da Lilly, matriz 2D ilegível
RE 1.494/202613/04/2026KwikPen 15 mg D719674C (caixa) e D838858 (caneta)Caixa com lote válido de outro mercado e caneta de rótulo falsificado: adulteração
RE 1.914/202611/05/2026KwikPen D830169 e D830169DRótulo em inglês, sem registro na Anvisa
RE 2.693/202610/07/202615 mg D880403, MJR 257 e D854901; 10 mg 855044Lotes não reconhecidos, série incompatível, dispositivo diferente, "soluction" no rótulo
RE 2.952/202630/07/2026D881474, série 302199651396Lote legítimo, série incompatível
RE 3.240/202617/08/2026955010Lote não reconhecido pela Lilly

A RE 4.194, que circula em notícias com os lotes D838888 e D838858, é de 2025.

Farmacêutico aponta o celular para o código da caixa de uma caneta injetável para conferir o número de série

Por que conferir só o lote do Mounjaro não basta

Conferir só o lote do Mounjaro não basta porque há falsificações que copiam lotes verdadeiros. Em três casos de 2026, o lote existia nos sistemas da Lilly e o falso estava no número de série ou no dispositivo: D881474 (RE 2.952/2026), D880403 e D854901 (RE 2.693/2026). A RE 2.952/2026 exclui da medida "as unidades autênticas regularmente fabricadas pela empresa".

Uma caixa com lote da lista pode ser verdadeira, e uma com lote fora da lista pode ser falsa. Quem separa as duas é o número de série.

O LillyScan, da Eli Lilly do Brasil, lê o QR code da caixa (não o da caneta) e, segundo a página oficial, "verificará se o número de série do medicamento é consistente com os medicamentos fabricados pela Lilly e disponíveis no Brasil".

O LillyScan é voltado ao paciente, que confirma ter prescrição, e o que ele confere é o número de série da caixa. Na dúvida, a farmácia fala com o SAC da Lilly: 0800 701 0444 ou sac_brasil@lilly.com. A Anvisa orienta procurar a detentora do registro para verificar a autenticidade.

Falsificação não é recolhimento: por que o caminho é outro

Lote falsificado não segue o recolhimento do detentor do registro. No recolhimento (RDC 625/2022), o distribuidor pede o estoque à farmácia e o detentor inutiliza o lote. No Mounjaro falsificado, o lote não é da Lilly, e vale a RDC 44/2009, arts. 34 e 38.

PontoRecolhimento de medicamentoMounjaro falsificado
NormaRDC 625/2022RDC 44/2009, arts. 34 e 38
Quem conduzDetentor do registroAutoridade sanitária, notificada pelo farmacêutico
O que a farmácia fazSuspende a venda, segrega e informa o estoqueSepara fora da área de dispensação, identifica e notifica
DestinoInutilização pelo detentorSegue a orientação da vigilância sanitária

A RDC 44/2009 não diz quem recolhe a caneta falsificada. O art. 38, § 1º, diz que o destino desses produtos "deve observar legislação específica federal, estadual ou municipal". Por isso, a farmácia não descarta nem devolve a unidade por conta própria.

Farmacêutica confere a nota fiscal do distribuidor ao receber caixas de canetas injetáveis em uma caixa térmica

Como a farmácia evita um Mounjaro falso na compra e no recebimento

A defesa da farmácia contra o Mounjaro falso é a origem. A RDC 44/2009 manda comprar só produto regularizado, de distribuidor autorizado e licenciado, com nome, lote e fabricante na nota fiscal. No recebimento, o art. 34 pede conferir conservação, lote e validade legíveis e um "mecanismo de conferência da autenticidade e origem do produto". Para o Mounjaro:

  1. A caneta chega dentro da caixa, com a embalagem completa.
  2. Lote e validade estão legíveis na caixa.
  3. O lote da nota fiscal é o mesmo da caixa.
  4. O lote não aparece na busca "Mounjaro" no DOU. Se aparecer, compare o número de série da caixa com o da Resolução-RE e fale com a Lilly antes de vender.

Exemplo ilustrativo: a caixa de Mounjaro chega com lote diferente do da nota. Ela não vai para a venda: fica separada, a farmácia registra nota e fornecedor, e o farmacêutico notifica a vigilância sanitária.

Fornecedor também é sinal

Distribuidor sem Autorização de Funcionamento (AFE) é risco para qualquer medicamento. A Resolução-RE nº 3.947/2026, publicada no DOU de 6 de outubro de 2026, proibiu insulina distribuída por empresa sem AFE que nem funcionava no endereço cadastrado. Antes da primeira compra, vale consultar a AFE do distribuidor.

Encontrou o lote no estoque ou desconfia de uma caneta: passo a passo

Diante de um lote listado ou de uma caneta suspeita de Mounjaro, a farmácia não vende, separa e identifica a unidade, e o farmacêutico notifica a autoridade sanitária, que decide o destino.

  1. Não venda nem aplique. A Resolução-RE proíbe a comercialização, a distribuição e o uso do lote.
  2. Separe e identifique. A RDC 44/2009 manda separar o produto "em ambiente seguro e diverso da área de dispensação", com identificação que indique "claramente que não se destinam ao uso ou comercialização".
  3. Notifique. O farmacêutico deve "notificar imediatamente a autoridade sanitária competente", informando os dados do produto: a Anvisa, pelos Canais de Atendimento, ou a vigilância sanitária local. Veja onde notificar suspeita de falsificação.
  4. Guarde os registros. Nota fiscal, fornecedor, quantidade e data de entrada. Se houver apreensão, o termo especifica natureza, quantidade, marca, procedência, empresa e detentor do produto.
  5. Siga a orientação da vigilância sanitária sobre o destino. Nenhuma norma nacional diz quem recolhe a unidade: a RDC 44/2009 remete o destino à legislação federal, estadual ou municipal.
  6. Avise o fornecedor. O aviso ajuda a rastrear outras unidades, mas não substitui a notificação.

E quando o cliente traz uma caneta comprada fora?

A farmácia não troca nem recebe a caneta de Mounjaro para revenda. O farmacêutico orienta o cliente a não usar o produto, a conferir a série no LillyScan e a procurar a vigilância sanitária ou o SAC da Lilly, também no WhatsApp (11) 5108-0101. Dúvida sobre o tratamento vai para o médico. Sobre receita, veja a retenção de receita das canetas emagrecedoras.

Erros comuns com Mounjaro suspeito

  • Devolver ao distribuidor como recolhimento. O Mounjaro falsificado não tem detentor que recolha, e a RDC 44/2009 exige a notificação do farmacêutico.
  • Descartar a caneta. O destino é decidido pela autoridade sanitária.
  • Confiar só no lote. Há falsificação com lote verdadeiro e série incompatível.
  • Comprar fora da cadeia regular. Distribuidor sem AFE, rede social ou anúncio que imita o site da Anvisa. A Anvisa não vende medicamentos.

Perguntas frequentes

Como saber se o Mounjaro é original?

Compre só de distribuidor autorizado, com nome, lote e fabricante na nota fiscal, e confira a caixa no recebimento. Depois, confira o número de série: o LillyScan, da Eli Lilly, lê o QR code da caixa e verifica se a série é consistente com os medicamentos fabricados pela Lilly e disponíveis no Brasil. Na dúvida, procure o SAC da Lilly.

Qual é a pena para o crime de remédio falsificado?

O art. 273 do Código Penal prevê reclusão de 10 a 15 anos, e multa, para quem falsifica, corrompe, adultera ou altera produto destinado a fins terapêuticos ou medicinais, o que inclui medicamentos. Pelo § 1º do mesmo artigo, a pena é a mesma para quem vende, expõe à venda ou tem em depósito para vender o produto falsificado.

Qual remédio imita o Mounjaro?

Vários produtos sem registro usam o nome Mounjaro sem ser o medicamento da Lilly. Em 2026, a Anvisa proibiu o "Mounjaro Natumix", o "Milagroso Ervas Mounjaro Turbo", o "Milagroso Ervas Mounjaro Rosa" e o "Mounjcaps", entre outros. Em outubro, a RE 4.001/2026 proibiu todos os alimentos de uma empresa que usava a marca "Mounjaro" em alusão a indicações terapêuticas. A Lilly diz ser a detentora exclusiva do único medicamento à base de tirzepatida aprovado pela Anvisa.

Como a Apogeu Tech ajuda a farmácia que vende canetas?

A Apogeu Tech atende farmácias com ERP de PDV, retaguarda, estoque e fiscal, com relatórios de vendas por item e de cobertura de estoque que mostram a saída de cada caneta. O ERP registra o lote na entrada da nota fiscal e mostra quem comprou cada lote; quando a Anvisa publica um lote falsificado, o gestor bloqueia o lote no sistema e o PDV avisa se ele aparecer na venda. A Apogeu também cuida da regularização, como AFE e credenciamentos, de farmácias clientes ou não.

Resumo para o balcão

O Mounjaro falsificado pede três hábitos na farmácia: comprar só de distribuidor com AFE e nota fiscal completa; conferir lote e número de série; e, diante de uma caneta suspeita, separar, identificar, notificar e seguir a orientação da vigilância sanitária.

Precisa pôr a AFE, o responsável técnico ou os credenciamentos da farmácia em dia? A Apogeu cuida disso para clientes e não clientes: veja os serviços de regularização de farmácias.

Referências e fontes

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