CMV: Guia Prático Para Calcular e Controlar no Varejo
Resposta rápida: CMV (Custo das Mercadorias Vendidas) é o custo de aquisição dos produtos que a loja vendeu no período, calculado por CMV = estoque inicial + compras − estoque final, tudo a preço de custo. Pelo art. 301 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto nº 9.580/2018), o custo de aquisição inclui frete, seguro e tributos da compra, e exclui os impostos recuperados como crédito na escrita fiscal.
O CMV está no centro das decisões de compra, preço, promoção e negociação com fornecedor em supermercado, farmácia ou loja de moda. Este guia mostra a fórmula, os métodos de avaliação de estoque aceitos no Brasil, os erros de cálculo mais comuns e uma rotina mensal para controlar o custo.
O que é CMV e por que ele importa tanto?
CMV é o custo total de colocar na prateleira os produtos que a loja vendeu no período. O CMV não é só o preço pago ao fornecedor: o art. 301, § 1º, do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/2018) diz que o custo de aquisição de mercadoria para revenda inclui transporte e seguro até a loja e os tributos devidos na compra. O § 3º do mesmo artigo exclui os impostos recuperáveis por crédito, como o ICMS creditado pela loja do regime normal.
O CMV responde perguntas como:
- Estou realmente lucrando com este produto?
- Devo aumentar ou não meu preço?
- Consigo competir em uma promoção?
- Meu estoque rende ou só me prejudica?
Não existe um percentual de CMV "ideal" fixado em norma ou em pesquisa oficial para o varejo como um todo. O peso do CMV sobre a receita muda muito entre segmentos: supermercado trabalha com margem bruta menor que loja de moda, por exemplo. A comparação útil é a do CMV da loja com o histórico da própria loja, mês a mês e por categoria.
CMV mostra o que custa para existir cada real vendido.
Como calcular o CMV (sem mistério)
O CMV do período é o valor do estoque que "saiu" pela venda: some o estoque inicial às compras e desconte o estoque que sobrou no fim. Todos os valores entram a preço de custo, nunca a preço de venda.
Fórmula tradicional do CMV
A fórmula clássica é esta:
CMV = Estoque inicial + Compras no período – Estoque final
Veja o detalhe: tudo calculado pelo preço de custo, nunca pelo preço de venda!
Exemplo prático:
- Estoque inicial (R$): 20.000
- Compras (R$): 15.000
- Estoque final (R$): 10.000
CMV = 20.000 + 15.000 – 10.000 = 25.000
O valor das compras precisa carregar todo o custo de aquisição: preço da nota, frete pago pela loja, seguro, tributos não recuperáveis e, na importação, os gastos de desembaraço aduaneiro (art. 301, § 2º, do RIR/2018). Imposto que a loja recupera como crédito fica fora da conta.
Exemplo no dia a dia de diferentes segmentos
- Farmácia: com estoque inicial de R$ 30.000, compras de R$ 20.000 no mês e estoque final de R$ 18.000, o CMV do mês da farmácia é R$ 32.000 (30.000 + 20.000 − 18.000). Medicamento parado perto do vencimento continua no estoque final e precisa de baixa como perda quando vence.
- Supermercado: produto perecível e promoção relâmpago mexem nas compras de um mês para o outro. Separar o CMV do supermercado por setor (açougue, hortifrúti, bebidas) mostra o impacto de cada categoria no resultado.
- Loja de moda: a loja de moda precisa acompanhar o CMV por grade (tamanho e cor). Um tamanho encalhado distorce a visão do resultado e é o primeiro candidato a liquidação.
CMV unitário: o cálculo produto a produto
O CMV por produto mostra quais itens sustentam a margem e quais a consomem. O resultado geral da loja pode parecer bom enquanto um item de alto giro deixa pouco no caixa. Para cada produto:
CMV unitário = Custo médio de aquisição x Quantidade vendida do item no período
Com o CMV de cada item ao lado da receita do mesmo item, a loja enxerga a margem bruta por produto. Nem sempre o produto que mais vende é o que mais lucra.
Métodos de avaliação de estoque: qual escolher?
O método de avaliação de estoque não muda a fórmula do CMV, mas muda o valor do estoque final e, portanto, o CMV. No Brasil, o Pronunciamento Técnico CPC 16 (R1), item 25, admite dois critérios para estoques intercambiáveis: PEPS e custo médio ponderado. O art. 307 do RIR/2018 aceita, para fins fiscais, o custo médio ou o custo das aquisições mais recentes (o PEPS).
- PEPS (Primeiro a Entrar, Primeiro a Sair): o critério PEPS supõe que os itens comprados primeiro saem primeiro, e o estoque final fica avaliado pelas compras mais recentes. Em período de alta de preços, o PEPS gera CMV menor e estoque final maior que o custo médio.
- UEPS (Último a Entrar, Primeiro a Sair): o UEPS avalia a saída pelas compras mais recentes. O UEPS não está entre os critérios do CPC 16 (R1) nem entre os admitidos pelo art. 307 do RIR/2018, então serve, no máximo, para simulação gerencial.
- Custo médio ponderado: o custo de cada item é a média ponderada do custo do estoque existente e das compras do período. Pelo CPC 16 (R1), item 27, a média pode ser recalculada por período ou a cada lote recebido (custo médio móvel), o que combina com loja de muitas compras pequenas.
Na prática, o método contábil é uma escolha da empresa com o contador, e deve ser o mesmo para estoques de natureza e uso semelhantes (CPC 16, item 25). A rotação física da prateleira é outra coisa: a farmácia e o supermercado vendem primeiro o lote que vence primeiro, qualquer que seja o método de avaliação na contabilidade.
Quem domina o método certo sabe exatamente quando comprar, quando baixar preço e quando segurar estoque.
CMV, lucro bruto e promoções
O lucro bruto é a receita de vendas menos o CMV. Toda promoção precisa ser simulada contra o CMV do item antes de entrar no ar, senão o prejuízo só aparece no fechamento do mês.
- Lucro bruto = Receita total – Custo das mercadorias vendidas
Antes das despesas fixas, variáveis e administrativas, é o CMV que define quanto sobra da receita. Se o CMV sobe e o preço fica parado, a margem bruta cai na mesma proporção.
Mudou seu CMV? Reveja imediatamente os preços de venda.
Se um produto teve aumento no custo, mas o preço de venda ficou parado, o lucro escorreu pelo ralo. Ao contrário, identificar uma queda de custo, às vezes, abre espaço para promoções estratégicas que aumentam o faturamento sem comprometer o lucro, como é possível aprender em estudos sobre precificação correta no varejo.
Sistemas de gestão: controle e automação do CMV
Um sistema de gestão calcula o CMV a partir do registro permanente de estoque: cada nota de entrada atualiza o custo do item e cada venda dá baixa na quantidade. O art. 301 do RIR/2018 prevê exatamente esse registro permanente como base para apurar o custo das mercadorias revendidas, em alternativa ao inventário de fim de período.
- Atualização automática: quando chega mercadoria nova e ainda há saldo da compra anterior, o sistema recalcula o custo médio do item na entrada da nota.
- Gestão integrada: o sistema cruza notas fiscais de entrada, validade, promoções e alertas de estoque baixo ou de mercadoria parada.
- Relatórios: CMV por setor, por produto e por período, com simulação de preço de venda quando o custo muda. Isso apoia a estratégia de promoções e a prevenção de perdas, como ensinamos sobre gestão de perdas no varejo.
Exemplos por segmento: no supermercado, a venda de uma caixa de leite dá baixa no estoque, e a devolução faz o ajuste. Na farmácia, o controle de lote e validade entra junto com o custo. Na loja de moda, a movimentação por grade (P, M, G) e as trocas ficam registradas com o custo de cada peça.
Anotar tudo na mão custa tempo. Não controlar custa dinheiro.
CMV e integridade fiscal
O CMV também é assunto fiscal. Para as empresas do lucro real, o RIR/2018 (arts. 301 a 307) define o que entra no custo de aquisição e como o estoque final deve ser avaliado. Nota de entrada correta, estoque escriturado de acordo com o movimento real e documentação de compras em ordem sustentam o número que vai para a contabilidade.
Na prática, o ERP registra as notas de entrada e o movimento de estoque que o contador usa para fechar o CMV. A responsabilidade pelo método de avaliação e pela escrituração continua da empresa e do contador.
Como identificar custos excessivos e agir rápido
Custo excessivo aparece em três lugares: compra mal negociada, estoque parado e promoção lançada sem simulação. Três checagens encontram esses vazamentos:
Comparação histórica: compare o custo de cada produto mês a mês. Custo fora do padrão pede revisão do preço de venda ou da negociação.- Curva ABC: separe os itens por volume de vendas e por margem. O campeão de vendas pode ter margem baixa, e o estoque parado ocupa espaço e capital.
- Fechamento de caixa: concilie compras, vendas e saldo de estoque. Pequenas diferenças mostram desvios, perdas e possíveis fraudes.
Com o estoque integrado às vendas, esses relatórios saem do sistema sem montar planilha a cada mês.
Sinais comuns de problemas com o custo das mercadorias vendidas
- Margem de lucro derretendo, sem aumento de vendas.
- Produtos encalhados mesmo com promoções frequentes.
- Reclamação da equipe sobre falta de itens ou excesso de produtos similares.
- Dificuldade em fechar o estoque físico com o estoque contábil.
Quando algum desses sintomas aparece, o CMV precisa de uma revisão urgente. O ideal é investir em aperfeiçoamento constante, como explicamos no artigo sobre diferentes métodos de markup x margem de lucro.
Dicas práticas: comprando melhor e crescendo no varejo
Comprar melhor reduz o CMV sem mexer no preço de venda. Quatro práticas cabem em qualquer porte de loja:
- Negociação por volume e frequência: nem sempre o menor preço é a melhor escolha. Proponha ao fornecedor prazos maiores ou condições em lotes maiores, com base no histórico de vendas.
- Calendário de compras sincronizado: antecipe compras para períodos de melhores condições e alinhe o estoque com as datas sazonais, sem exagerar.
- Cadastro detalhado de produtos: registre validade, lote, fornecedor e custo de cada aquisição. Esse cadastro evita que produto encalhado distorça o CMV.
- Evite varejo “empilhado”: compra barata que não vende prende capital e acaba em perda. Faça promoções com base no desempenho de cada linha.
CMV e indicadores estratégicos no varejo
O CMV ganha valor quando é lido junto com outros indicadores da loja:
Margem de contribuição: quanto sobra das vendas depois dos custos variáveis, incluindo o CMV.- Giro de estoque: CMV do período dividido pelo estoque médio. Giro baixo indica produto parado.
- Mix de produtos: alguns produtos puxam o CMV para cima, outros para baixo. Um ajuste no mix pode mudar o resultado do mês, como mostramos em estratégias de mix em supermercados.
- Percentual do CMV nas receitas: CMV dividido pela receita de vendas. A referência é o histórico da própria loja e da categoria, porque o percentual varia com o segmento, a sazonalidade e o mix.
Juntos, esses indicadores mostram a saúde do negócio. Um ajuste no CMV reflete na margem, no giro e no espaço para negociação e promoção.
O papel da tecnologia na rotina do varejo
Tecnologia útil para o varejo é a que entrega o CMV pronto para decisão: relatórios claros, notas de entrada integradas ao estoque e acesso fácil para a equipe.
Quem olha o CMV com frequência, decide com confiança.
Rotina mensal de controle do CMV
Uma rotina mensal de CMV tem cinco passos, e cabe em uma reunião curta com a equipe de compras e de loja:
- Conferir se todas as notas de entrada do mês foram lançadas com frete, seguro e tributos não recuperáveis.
- Fazer a contagem (ou a contagem por amostragem) e ajustar o estoque final.
- Calcular o CMV do mês e o percentual sobre a receita, por setor ou categoria.
- Listar os itens com custo acima do histórico e revisar preço de venda ou negociação.
- Listar os itens parados e decidir liquidação, devolução ao fornecedor ou ajuste do estoque mínimo.
Repetida todo mês, essa rotina transforma o CMV de um número de fechamento em uma ferramenta de decisão de compra e preço.
Erros clássicos do varejo ao calcular o CMV
Mesmo quem já tem experiência tropeça em alguns detalhes:
- Considerar apenas o valor da compra, ignorando frete e outros custos.
- Incluir no custo o imposto que a loja recupera como crédito.
- Desprezar mercadorias devolvidas, trocadas ou danificadas no cálculo.
- Erro no registro do estoque inicial ou final.
- Confundir métodos de avaliação, gerando distorções de preço no sistema.
- Estocar demais na promoção e não calcular o impacto no CMV.
Aprender sobre indicadores de desempenho no varejo ajuda a construir uma rotina mais ajustada e segura.
Como um produto encalhado pode “sabotar” o resultado
O produto encalhado distorce a análise do custo do mês. Enquanto está no estoque final, ele reduz o CMV do período, e quando vence, estraga ou sai de moda, vira perda de uma vez. Lojas que acompanham alertas de movimentação lenta vendem antes de vencer ou de sair de moda.
O custo de não agir rápido é sempre maior.
Perguntas frequentes
O que significa CMV no varejo?
CMV significa Custo das Mercadorias Vendidas. No varejo, é o custo de aquisição dos produtos que a loja vendeu no período, incluindo preço de compra, frete, seguro e tributos não recuperáveis. O CMV é subtraído da receita de vendas para chegar ao lucro bruto, antes das despesas fixas e administrativas.
Como calcular o CMV?
O CMV se calcula pela fórmula estoque inicial mais compras do período menos estoque final, todos a preço de custo. Exemplo: estoque inicial de R$ 20.000, compras de R$ 15.000 e estoque final de R$ 10.000 resultam em CMV de R$ 25.000. Por produto, multiplique o custo médio pela quantidade vendida.
Qual método de avaliação de estoque é aceito no Brasil?
No Brasil, o CPC 16 (R1) admite o PEPS e o custo médio ponderado para estoques intercambiáveis. Para fins fiscais, o art. 307 do Regulamento do Imposto de Renda aceita o custo médio ou o custo das aquisições mais recentes. O UEPS não está entre os critérios admitidos, então fica restrito a simulações gerenciais.
Como reduzir o CMV na loja?
Para reduzir o CMV, negocie prazo e volume com fornecedores, alinhe compras ao giro real, reduza perdas por validade e liquide itens parados cedo. Um ERP de varejo como o da Apogeu Tech atualiza o custo médio a cada nota de entrada e mostra o CMV por produto e por setor, o que ajuda a achar onde o custo está subindo.
Conclusão
O CMV é o termômetro do negócio no varejo. Calcular com o custo de aquisição completo, usar um método de avaliação aceito (PEPS ou custo médio) e acompanhar o número todo mês, por categoria, dá base para comprar, precificar e promover com segurança.
A Apogeu Tech atende o varejo brasileiro há mais de 34 anos, em farmácias, supermercados, lojas de moda e distribuidoras. Para ver como o estoque integrado às notas de entrada entrega o CMV pronto, conheça o ERP para varejo da Apogeu Tech.
Referências e fontes
- Decreto nº 9.580/2018 — Regulamento do Imposto de Renda, arts. 301 a 307 (custo de aquisição e avaliação de estoques) — Presidência da República (Planalto).
- Pronunciamento Técnico CPC 16 (R1) — Estoques, itens 11, 25 e 27 — Comitê de Pronunciamentos Contábeis.




