Canetas emagrecedoras: como elas mudaram o consumo nas farmácias
Resposta rápida: As canetas emagrecedoras à base de agonistas de GLP-1 cresceram 79,7% em faturamento no varejo farmacêutico em 2025, com alta de 26% em volume e de 43% no preço médio, segundo levantamento da Rock Encantech divulgado pela Abrafarma. Desde 23 de junho de 2025, a farmácia só pode vender esses medicamentos com retenção da receita, e a RDC 973/2025 da Anvisa exige o registro de compra e venda no SNGPC.
As canetas emagrecedoras, baseadas em agonistas de GLP-1 como semaglutida e tirzepatida, mudaram o que o cliente compra na farmácia e o que a farmácia precisa controlar no balcão. O efeito aparece no faturamento, no mix de categorias associadas e na rotina de dispensação.
Crescimento nas farmácias: números que impressionam
O faturamento das canetas emagrecedoras no varejo farmacêutico cresceu 79,7% em 2025, segundo levantamento da Rock Encantech com 22,4 milhões de transações, divulgado pela Abrafarma. O mesmo estudo mostra alta de 26% em volume e de 43% no preço médio das canetas em 2025.
O perfil de quem compra também aparece no levantamento da Abrafarma: mulheres são 63% dos consumidores de canetas emagrecedoras, e a faixa de 40 a 49 anos responde por 29,5% dos compradores, seguida pela de 50 a 59 anos, com 23,1%.
Quem compra canetas emagrecedoras também ampliou a participação em categorias de cuidado contínuo, segundo a Abrafarma: medicamentos para enfermidades crônicas (23,2%), enfermidades agudas (22,6%) e vitamínicos e nutrição (9,3%). Para a farmácia, o cliente da caneta volta ao balcão por outros itens, e esse retorno depende de estoque e atendimento.
A farmácia tornou-se, definitivamente, um centro de saúde e autocuidado.
Do remédio ao hub de bem-estar: a farmácia pós-pandemia
A farmácia brasileira passou a oferecer serviços além da venda de medicamentos: aferição de glicemia e pressão, vacinação e consultas farmacêuticas. O paciente que usa caneta emagrecedora precisa de orientação sobre aplicação, armazenamento em geladeira e efeitos adversos, e a farmácia é o ponto de contato mais frequente desse paciente.
O mix de bem-estar acompanha esse movimento, com dermocosméticos, barras de proteína e multivitamínicos. Essa mudança foi detalhada em nosso artigo sobre tendências de venda no varejo farmacêutico.
Na prática, o paciente em tratamento com canetas emagrecedoras procura itens ligados à nova rotina alimentar: proteína, vitaminas, hidratantes e cremes para a pele. A farmácia que organiza essas categorias perto do atendimento farmacêutico aproveita a visita que a caneta já gera.
Quem são os novos consumidores das canetas emagrecedoras?
Segundo pesquisa do Instituto Locomotiva divulgada pelo Conselho Federal de Farmácia em abril de 2026, 62% dos brasileiros conhecem alguém que usa canetas emagrecedoras, 33% dos domicílios têm pelo menos um morador que usa ou já usou, 24% dos entrevistados já experimentaram e 11% são usuários atuais (conforme levantamento).
A mesma pesquisa do CFF aponta que cerca de 40% dos usuários de canetas emagrecedoras obtiveram o produto sem prescrição, pela internet ou no exterior. Para a farmácia regular, o dado reforça o papel da orientação farmacêutica e da venda dentro da regra de retenção de receita.
O que muda na dispensação das canetas emagrecedoras
Desde 23 de junho de 2025, farmácias e drogarias só vendem medicamentos agonistas de GLP-1, como Ozempic, Wegovy e Mounjaro, com retenção da receita, segundo a Anvisa. A RDC 973/2025 da Anvisa manteve a receita em duas vias, com retenção de uma via e validade de 90 dias, e passou a exigir o registro de todas as movimentações de compra e venda desses medicamentos no SNGPC.
A regra da RDC 973/2025 vale para semaglutida, liraglutida, dulaglutida, tirzepatida e lixisenatida, segundo o CFF. A receita é aviada uma única vez, salvo tratamento prolongado. Para o balcão, isso significa conferir receita, reter a via correta e lançar a movimentação no SNGPC em toda venda de caneta.
Mudanças de hábitos e novas demandas no consumo
O uso das canetas emagrecedoras mudou o orçamento das famílias. Um estudo da NielsenIQ aponta que 84% dos lares que compram canetas à base de GLP-1 relatam impacto moderado a alto no orçamento mensal, e 62,2% despriorizaram outros gastos.
Entre os lares usuários de canetas emagrecedoras, a NielsenIQ registra que 76,9% reduziram ou eliminaram chocolates e doces e 73,4% reduziram snacks e biscoitos. Entre os gastos despriorizados estão saídas a bares (62,3%), serviços (56,6%) e restaurantes (54,9%). Na outra ponta, 84,4% aumentaram o consumo de proteína animal e 67,6% compraram mais verduras e legumes.
Para a farmácia, a mudança de dieta do usuário de canetas emagrecedoras abre espaço em categorias de nutrição e suplementação, e a farmácia virou destino central para quem busca saúde preventiva e autocuidado.
Desafios e oportunidades para farmácias e empresários
O primeiro desafio da farmácia com as canetas emagrecedoras é operacional: medicamento de alto valor, que exige cadeia de frio, retenção de receita e escrituração no SNGPC. O segundo é comercial: o paciente em tratamento compra outras categorias, e a farmácia precisa ter esses itens no estoque certo.
Para acompanhar o paciente em todas as fases, da adesão à caneta até a orientação sobre alimentação e suplementação, a farmácia combina serviço farmacêutico com um portfólio de bem-estar bem abastecido.
Nessa rotina, ajudam sistemas que ligam atendimento, cadastro de cliente, controle de estoque por lote e validade, SNGPC e programas como PBM e Farmácia Popular. Acreditamos, por experiência, que unir tecnologia de gestão à rotina operacional das farmácias é um caminho sem volta.
Para entender mais sobre o papel dos benefícios em medicamentos, também recomendamos nossos conteúdos sobre como o PBM pode aumentar vendas e sobre programas de benefícios em medicamentos, que detalham vantagens para gestores e consumidores. Caso queira saber mais sobre controle de estoque voltado para a nova realidade, confira nosso artigo sobre controle de estoque para farmácias. Para entender mais sobre o funcionamento do programa Farmácia Popular também temos conteúdo especializado em nosso blog.
Reflexos para além do balcão: saúde preventiva é tendência
As canetas emagrecedoras fazem parte de um movimento maior de saúde preventiva, em que o autocuidado entra no orçamento mensal das famílias. A NielsenIQ estima que 5% dos lares brasileiros usam canetas hoje e que outros 26% têm interesse, mas ainda não usam, o que indica espaço para a categoria seguir crescendo.
Crescimento de categoria não é garantia de fidelização. A farmácia que diferencia atendimento, orientação e serviços farmacêuticos tem mais chance de manter o paciente depois da primeira compra.
O futuro passa pela farmácia que entende, acolhe e acompanha seu cliente.
Perguntas frequentes
O que são canetas emagrecedoras?
Canetas emagrecedoras são medicamentos injetáveis de aplicação subcutânea à base de agonistas do receptor de GLP-1, como semaglutida, liraglutida e tirzepatida. Esses medicamentos aumentam a saciedade e reduzem a fome. No Brasil, a venda exige prescrição, e o uso deve ser acompanhado por médico, com orientação do farmacêutico na dispensação.
Precisa de receita para comprar caneta emagrecedora?
Sim. Desde 23 de junho de 2025, farmácias e drogarias só vendem agonistas de GLP-1 com retenção da receita, conforme a Anvisa. A RDC 973/2025 manteve a prescrição em duas vias, com validade de 90 dias, e exige que toda compra e venda desses medicamentos seja registrada no SNGPC.
Quanto as canetas emagrecedoras cresceram nas farmácias?
Segundo levantamento da Rock Encantech divulgado pela Abrafarma, o faturamento das canetas emagrecedoras no varejo farmacêutico cresceu 79,7% em 2025, com alta de 26% em volume e de 43% no preço médio. Os compradores também ampliaram gastos com medicamentos para doenças crônicas, agudas e com vitamínicos.
Como a farmácia controla a venda de canetas emagrecedoras no sistema?
A farmácia precisa registrar a receita retida, controlar lote e validade e lançar cada movimentação no SNGPC. O ERP da Apogeu Tech integra PDV, estoque por lote e SNGPC, o que ajuda a equipe a registrar a dispensação no mesmo fluxo da venda. A conferência da receita continua sendo do farmacêutico.
Conclusão: farmácia e tecnologia juntas para o novo consumidor
As canetas emagrecedoras mudaram o faturamento, o mix e a rotina de dispensação das farmácias brasileiras. O paciente em tratamento compra mais cuidado contínuo e exige orientação, e a venda passou a depender de retenção de receita e de registro no SNGPC.
Se você quer preparar sua farmácia para esse cenário, conheça o sistema da Apogeu Tech para drogarias, com atendimento humano e integração com os programas do setor.
Referências e fontes
- Consumo de canetas emagrecedoras cresceu 79,7% nas farmácias em 2025 — Abrafarma (dados Rock Encantech).
- Como as canetas emagrecedoras estão redesenhando o consumo no Brasil — NielsenIQ.
- 62% dos brasileiros conhecem usuários de canetas emagrecedoras — Conselho Federal de Farmácia.
- Entra em vigor norma que prevê retenção de receita para agonistas GLP-1 — Anvisa.
- Anvisa estabelece novas regras para prescrição e dispensação de agonistas de GLP-1 (RDC 973/2025) — Conselho Federal de Farmácia.




